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Como a sedução é um vício como
outro qualquer, o escritor, jornalista, biscateiro e animal
tropical Pedro Juan Gutiérrez despedaça corações
e não sente culpa. Pedro Juan é um outsider,
vive com marginais, prostitutas, pais-de-santo e todo tipo de gente
no Centro de Havana, bairro em ruínas da capital cubana,
sob as barbas de Fidel. Mas em Animal Tropical (Cia. das
Letras, 341 págs., R$ 32), o leitor acompanha o périplo
de Pedro Juan pela limpa e arborizada Estocolmo, testemunhando o
encontro entre dois mundos: o do selvagem escritor e
o da loura Agneta, sua amante sueca.
Como
em Trilogia Suja de Havana e O Rei de Havana, a literatura
de Pedro Juan freqüentemente se confunde com sua própria
vida, que exala sexo, rum e fumaça de charuto. Em 2001, quando
esteve no Brasil, onde é quase uma celebridade, o escritor
visitou a Boca do Lixo, na região central de São Paulo,
depois de sair de uma entrevista a Jô Soares. Em Cuba, Pedro
Juan não vai a programas de tevê e seus livros são
censurados. Resta-lhe a boca do lixo havanera.
Em Animal Tropical, Pedro Juan namora Glória, uma
ardente mulata que ganha a vida no meretrício. Assim mesmo,
o autor e personagem do romance encontra tempo para
visitar Agneta, uma sueca que, apaixonada por seus livros, troca
longos telefonemas com ele. Dividido entre o mundo civilizado
e o mundo selvagem, Pedro Juan constrói sua identidade
com impiedoso humor auto-irônico, o que resultou num livro
delicioso e despudorado, sem culpas. Literatura caliente
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