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| Casa
de Boneca: boas atuações e muita pretensão na montagem
em cartaz no CCBB-RJ |
Bia
Lessa sempre se preocupou mais com a forma do que com o conteúdo
de suas encenações. Em nome de uma suposta modernidade,
a diretora invariavelmente propõe alguma pretensa inovação
em seus espetáculos. Na remontagem de Casa de Boneca,
em cartaz no Rio, Bia manteve sua postura, criando um híbrido
de filme e peça. Mais cinema do que teatro, pois o espectador
assiste ao texto de Henrik Ibsen num telão, durante 1h40.
Somente o desfecho, com menos de dez minutos, é feito ao
vivo, no palco, por Betty Gofman, que interpreta Nora.
A
proposta poderia resultar interessante se o filme da
diretora não fosse, na verdade, cinema de acabamento pobre
e caseiro, feito em vídeo digital. Tudo parece ginasial,
em que pesem as vigorosas interpretações de nomes
como José Mayer, Cássio Gabus Mendes e José
Wilker. Salva-se também a envolvente música de Otto.
Recente
encenação do mesmo texto por Ana Paula Arósio
mostra que a peça de Ibsen ainda se mantém de pé.
Mas Bia alterou levemente a estrutura da trama. Sua Nora não
parece um bibelô nas mãos do marido Hjalmar, vivido
por José Mayer de uma forma lúdica não prevista
no original. A opção por essa linha equivocada torna
incoerente o final,
a transposição da tela para o palco. Nesse derradeiro
momento, Bia mostra a
inventividade que falta na pretensiosa encenação.
Mas já é tarde, e o espectador
está frustrado. Brincadeira chata
Centro
Cultural Banco do Brasil/RJ Teatro I
rua Primeiro de Março, 66, Centro,
tel. (21) 3808-2020.
Até 30 de junho.
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