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| Mãe
Coragem: atualidade da obra de Brecht |
Coragem
é a personagem que em Mãe Coragem, uma das
obras-primas de Bertolt Brecht (1898-1956), carrega uma carroça
e três filhos. Ela vende bebida e toucinho aos soldados europeus
que lutam na Guerra dos 30 Anos (1618-1648). Sobrevive com a guerra,
bendita guerra, mas as batalhas levam seus filhos, maldita
guerra.
A
Coragem interpretada por Maria Alice Vergueiro, que completa 40
anos de carreira, segue sua trilha no cenário idealizado
por J.C. Serroni, sob a direção de Sergio Ferrara
(Abajur Lilás). São caminhos que receberam
os passos de grandes atrizes do teatro mundial, entre elas Lélia
Abramo, a primeira brasileira a interpretar Coragem, em 1960.
A
encenação de Ferrara, notável diretor de atores,
sugere poesia e algum deboche, colocando no palco um elenco pertencente
a diversas gerações. José Rubens Chachá,
interpretando o pároco que vive com Coragem, tem mais um
desempenho marcante, assim como Márcia Martins, a filha muda.
Maria Alice Vergueiro arrebata o público expondo o pragmatismo
intuitivo de sua personagem, que vê na guerra um ganha-pão,
não uma catástrofe.
O
despojamento da encenação ensina ao público
a atualidade de Brecht, um autor preponderantemente político.
Como Coragem, há hordas de mulheres pelas ruas das grandes
cidades carregando carroças e filhos. É a constatação
de que a guerra dura mais de 30 anos. Notícias da guerra
Sesc
Consolação r. Dr. Vila Nova, 25, tel. (11)
256-2281, São Paulo. Até 30 de junho
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