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Entrevista

13/05/2002

   
Helcio Toth
“Venho ao Brasil desde 1978. Não há nada como a Amazônia”,
diz Gloria
 
CONTINUAÇÃO

Se minha mãe tivesse me obrigado a ir à igreja desde cedo nunca teria me envolvido com drogas.

• Os gays adoram você. O que acha disso?
• Gosta de música eletrônica? O que acha desse tipo de som?
 

 

Lições da rainha disco
A musa de “I Will Survive” ainda gosta de cantar a música que a consagrou nos anos 70 e conta que deixou as drogas quando começou a ir à igreja

Juliana Lopes

 


Os vizinhos de Gloria Fowles sabiam exatamente o que ela queria quando a menina de cinco anos tocava a campainha no meio da tarde, num bairro de gente simples em Nova Jersey, Estados Unidos, na década de 50. “Tenho uma canção para você!”, dizia, sorrindo. Antes de terminar o colégio, já sabia 200 músicas e disse à mãe que queria ser cantora. “Ótimo, querida, mas primeiro arranje um emprego”, ouviu. Gloria fez curso de cosmética e aprendeu a se maquiar e pentear. A mãe costurou vestidos de festa. Ela não sabia, mas aos 19 anos já estava pronta para entrar para a história da música como a rainha disco, eternizada pelo hino “I Will Survive” (Eu Vou Sobreviver). Gloria, 54 anos, fez show em São Paulo no sábado 4 e se prepara para voltar em agosto, sempre na companhia de Linwood Simon, seu marido e empresário, com quem está casada há mais de 20 anos. É ele quem lhe serve chá de camomila com mel antes do show começar.

No show em São Paulo você cantou três vezes “I Will Survive”. Tem idéia de quantas vezes já cantou essa música na vida?
Gostaria de saber, mas não sei. Milhares! Essa música tem 23 anos e eu tenho que cantá-la em todos os shows. Amo cantar essa música, mas não gosto de ouvi-la no rádio. Gosto de cantá-la porque, nessa hora, sou eu e o público e há uma troca de amor. Me sinto dando poder e coragem para quem ouve a música. E o público me dá amor e agradecimento.

Qual a diferença de cantar “I Will Survive” agora e há vinte anos?”
Hoje, quando eu penso nessa canção, penso em Deus. Há vinte anos, pensava só em mim. Sempre disse às pessoas que elas tinham de sobreviver, mas nunca disse como. Hoje, digo que elas vão sobreviver se confiarem em Deus. E não só sobreviver nesta vida, mas eternamente.

Desde quando é cristã?
Desde 1982. Sempre acreditei em Deus, mas só dizia que era cristã porque minha mãe e minha avó eram. Minha mãe nunca me obrigou a ir à igreja porque foi obrigada desde pequena pela minha avó. Eu gostaria de ter sido obrigada porque não teria cometido os erros que cometi.

Que erros você cometeu?
Nunca teria me envolvido com drogas, álcool e com alguns homens que passaram pela minha vida. Teria sabido desde o começo como as pessoas devem se tratar, como uma mulher deve ser. Teria sabido que a vida é baseada nas minhas escolhas e que posso ser o que eu quiser. Nunca teria tido as inseguranças que tive porque Deus me deu talentos maravilhosos. Eu não sabia disso. Mesmo quando me aplaudiam. Pensava que, se não pudesse cantar, ninguém ia se importar comigo. Achava que eu era só uma voz que as pessoas gostavam de ouvir ao dançar, mas que ninguém se importava com os meus problemas. Porque eu achava que Gloria Gaynor não era nada, não tinha nada a oferecer.

Como se sente agora?
Sei que isso não é verdade. Sei que sou uma ótima professora. Mais que cantar, eu ensino as pessoas. Não falo sem ensinar, tenho alma de professora. Esse é o dom que Deus me deu, além do dom da cosmética. Posso fazer qualquer uma ficar linda, fazer o cabelo, a maquiagem. E posso ficar horas ouvindo os problemas dos outros.

 

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