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Num
dos raros intervalos da agenda, Kelly Key aproveita para almoçar.
São 18h e ela, que acordou às 6h, devora um hambúrguer
encharcado de catchup. Tem sido assim desde que a música
Baba estourou nas rádios. Às vezes, a rotina de shows
(chegam a quatro por dia), fotos e entrevistas sequer a deixa dormir.
Como na manhã em que chegou em casa depois de uma série
de compromissos e encontrou jornalistas esperando-a na sala. Mãe
de Suzanna, de um ano e meio, sua filha com o cantor Latino, Kelly
Key, 19, ainda está se acostumando com a fama repentina.
Quando escrevi Baba, pensei: Vou mandar
alguém babar?. Tinha vergonha, mas a gravadora escolheu
essa música para tocar. Eles disseram que era um chiclete,
e acertaram, conta Kelly.
Acertaram
mesmo. Com pirataria e tudo, ela vendeu 100 mil cópias do
CD, Escondido. A fama tem rendido uma média de 25
shows por mês, com cachês entre R$ 4 mil (playback)
e R$ 12 mil (com banda). Um dia normal da cantora começa
às 6h, com sessões de fotos das 8h ao meio-dia. Se
der para almoçar, almoça. Se não, come qualquer
coisa a caminho das rádios e entrevistas. À noite,
faz no mínimo dois shows. Kelly Key até pediu o último
dia 29 de abril inteiro para dormir, antes de encarar 48 horas seguidas
de compromissos. Conseguiu, mas não descansou. Cuidou da
filha e das obras na casa dos pais, no Rio.
Kelly
diz que as letras de seu disco, como a de Escondido
A gente sai escondido, pra beijar na boca e fazer amor
, retratam sua experiência pessoal. Por isso, acredita
que os adolescentes se identificam com elas. Muitas meninas
me têm como psicóloga, me contam suas vidas, as dificuldades
que vivem em casa com os pais. Recebo mais de 300 e-mails por dia,
conta a cantora, que queria ser veterinária.
Fanática
por games tem mais de 150 , Kelly também assume-se
como consumista e está construindo um closet para abrigar
as roupas novas. Com os cachês, lotou seu armário,
invadiu o da mãe e o do irmão mais novo. Ela nem imagina
quantas peças tem ao todo, mas calcula que só de calças
comprou mais de 100, além de 60 botas e dezenas de óculos,
de todas as cores e formatos. Quero fazer tipo um camarim.
É um quarto todo armário, que quero fazer meio rosa
e lilás, planeja, entusiasmada.
Mas
a fama também tem rendido chateações. Apesar
de gostar do assédio, ela tem trabalho para evitar os fãs
mais afoitos. Um deles tentou tirar seu brinco à força
e rasgou o lóbulo de sua orelha direita. Outro tentou levar
um pedaço de sua bochecha à dentada. Dá
pra acreditar?, espanta-se. Falar sobre a vida pessoal também
a incomoda, principalmente se o assunto for Latino. A gota dágua
foi a insinuação de que ela havia engravidado porque
o casal teria esquecido a camisinha. Minha filha foi planejadíssima.
Fiquei sete meses tentando engravidar. Quando estava para desistir,
aconteceu, lembra.
O namoro
com Latino começou quando Kelly tinha 13 anos. Com 16, os
dois foram morar juntos, apesar de o pai, Porfírio, torcer
o nariz. Para Latino, foi o destino. Eu a conheci na gravação
de um clipe de uma música minha. Quando a vi, falei que ela
não participaria, que ela seria minha namorada. Sempre tive
o dom de pressentir as coisas. Pode-se dizer que também
vislumbrou o sucesso de Kelly. Disse a ela: Se você
cantar afinado e dançar como as americanas você vai
estourar. Dito e feito.
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