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| Como
zagueiro do Juventude, no fim dos anos 70 |
A seleção
brasileira que pisará no gramado do Ulsan Munsu Stadium,
na cidade coreana de Ulsan, na segunda-feira 3, às 6 horas
da manhã no Brasil, terá o espírito aguerrido
e solidário de seu treinador. Desde que assumiu o time, em
12 de junho de 2001, o gaúcho Luiz Felipe Scolari, de 53
anos, manteve-se fiel aos preceitos aprendidos ainda como zagueiro
da equipe do Caxias, de Caxias do Sul. Lealdade, espírito
de grupo, aplicação tática e forte marcação
são doutrinas passadas por Felipão a seus 23 convocados,
apelidados de família Scolari. Foi com essa mentalidade
que o time goleou por quatro a zero a seleção malaia,
no sábado 25, em Kuala Lumpur, em sua última partida
preparatória. E é assim que o time de Felipão
jogará a Copa em busca do pentacampeonato.
Para
entender o jeito Felipão de ser é preciso
contar um pouco sobre a história do treinador. Nascido numa
colônia próxima à cidade de Passo Fundo, cidade
conhecida como terra de gaúcho macho, Luiz Felipe
cresceu admirando seu pai, o zagueiro Benjamin Scolari, já
falecido, considerado um dos melhores beques do Sul do País
na década de 40. Mesmo sendo de uma família
que tinha boas condições financeiras, ele sempre quis
ser jogador profissional de futebol, lembra Reni de Oliveira,
o Gão, de 54 anos, antigo meia-atacante da equipe do Aimoré.
Foi no modesto time da cidade gaúcha de São Leopoldo
que Felipão realizou o sonho de jogar futebol profissionalmente.
Defendeu o clube por cinco anos, de 1968 a 1973. Dizem que
ele era o Rosca, já que vez ou outra ele chutava
mal a bola. Mas ele jogava muito bem. Nosso clube dificilmente perdia
para o Grêmio ou para o Internacional, defende Claudinei
de Oliveira, o Salvador, de 53 anos, técnico
de futebol e ex-companheiro de zaga de Felipão no Aimoré.
Já
naquela época o treinador da seleção deixava
transparecer uma de suas características mais marcantes:
o espírito solidário. Uma vez um goleiro nosso,
o Pompéia, apareceu no treinamento chorando. Sua esposa estava
doente e ele não tinha dinheiro. O Felipe, no vestiário,
anunciou que daria o vale dele para o Pompéia.
Todos ficamos emocionados, e também demos nosso pagamento
para o Pompéia, fala Salvador. No ano seguinte, em
1974, Luiz Felipe transferiu-se de maneira curiosa para o time do
Caxias, de Caxias do Sul. A equipe tinha a intenção
de contratar apenas o meia Maurício, que jogava com Felipão
no Aimoré. Como o técnico da seleção
cuidava dos negócios do amigo, condicionou a ida de Maurício
à sua. E lá ficou por seis anos, onde foi capitão
e principal líder da equipe naquele período. Felipão
era um zagueiro à moda antiga, não perdia a viagem.
Era muito difícil de ser driblado, cabeceava muito bem e
tinha muito vigor físico, lembra Paulo Cegato, de 51,
ex-lateral do time de Caxias. A equipe era dirigida pelo capitão
Carlos Froner, que sempre foi a principal referência de treinador
para Luiz Felipe Scolari, fala Clóvis Duarte, ex-companheiro
de Felipão no Caxias.
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