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Lya Luft, aquela mulher que escreve romances densos, com personagens
complexos, foi uma criança típica: desobediente, agitada,
disposta a saber o porquê de tudo. Mar de Dentro (ARX,
160 págs, R$ 19), o novo livro da autora gaúcha, não
tem cara de biografia, mas parte de sua infância para refletir
a meninice de cada um.
Depois de filosofar sobre a maturidade em O Rio do Meio e
Histórias do Tempo, a escritora encontra no passado
uma universalidade que tinha ficado perdida em seus trabalhos recentes.
A menina Lya costumava folhear os livros do pai. Não sabia
ler. Só queria imaginar o que poderiam significar aquelas
letras. Para vê-la incomodada, bastava dizer que as folhas
das árvores se mexiam por causa do vento. Por que uma fada
não poderia estar escondida lá atrás, orquestrando
tudo?
O Mar de Dentro do título é o furacão
que todos temos em nós, o inconformismo. Para Lya, o livro
não passa de um relato do que ela viveu ou pensou ter vivido.
É bem mais do que isso. Pode ser associado a seu romance
O Ponto Cego, que mostra uma família pelos olhos de
um garoto, ou até mesmo a Perto do Coração
Selvagem, de Clarice Lispector. Mar de Dentro é
leve, delicado, mas irônico, dono de uma criatividade que
pode até incomodar. Igualzinho à criança que
Lya foi. Gente inocente
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