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Cláudia
Jimenez
“Nunca
vivi um romance com um homem”
Em
sua casa no Rio, a atriz se diverte saindo do armário e diz que
quer ser mãe: “Filho tem que ser resultado da relação entre homem
e mulher. Se não chegar a viver isso, não serei mãe”
Rosangela
Honor
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Fotos:
Leandro Pimentel
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A
atriz diz que sempre foi rejeitada pelo sexo masculino por
ser gorda
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Filha
do caixeiro-viajante Eduardo Jimenez, já falecido, e da dona-de-casa
Mercedes Patitucci Jimenez, 70 anos, a atriz Cláudia Jimenez,
41 anos, é a caçula de uma família de quatro
irmãs: a assistente social Regina, 50 anos, a secretária
Leila, 48, a enfermeira Sandra, 47, e a economista Cíntia,
de 44. Com o apoio da família, Cláudia superou o enfarte
que sofreu há sete meses e a cirurgia de emergência
que lhe rendeu cinco pontes de safena. A volta à tevê
está se dando aos poucos, primeiro no Zorra Total,
na Globo. Agora, no dia 20 de julho, ela dá mais um passo
para mostrar que está restabelecida. Estréia no Shopping
da Gávea, na zona sul do Rio, a peça Pequeno Dicionário
Amoroso, sob a direção de Jorge Fernando.
Apontada
como uma das melhores comediantes de sua geração,
Cláudia revelou-se no programa Viva o Gordo, de Jô
Soares. Depois, trabalhou com Chico Anysio e durante 12 anos brilhou
nos programas do humorista, principalmente na Escolinha do Professor
Raimundo. Mas foi interpretando a empregada Edileusa, do Sai
de Baixo, que viveu seu papel de maior destaque na tevê.
Também no programa, amargou o constrangimento de ser afastada
do elenco. Deu a volta por cima como a garçonete Bina, de
Torre de Babel, sua única novela, e se prepara para
voltar ao folhetim, em 2001, em outra história de Sílvio
de Abreu com um papel escrito especialmente para ela.
Como
está sendo sua volta ao teatro?
O teatro acaba de curar as últimas aberturas que ficaram
na ferida. É o espaço onde me sinto saudável,
inteira, poderosa, onde nada de ruim me acontece. Essa peça
cai como uma luva. Está sendo um laboratório. Estou
vivendo nessa peça um romance com um homem, uma coisa que
nunca vivi. Eu nunca fui amada por um homem. E estou gostando de
experimentar isso.
Como
se sente fisicamente?
Estou cada dia melhor. Faço até um cooperzinho em
cena. Mas cooper maior são as trepadas que eu dou com o Ernani
Moraes em cena. Toda hora tem sobe e desce. É muito mais
intenso do que o cooper.
Você
está segura?
Quando estou no palco, nem lembro que tenho cinco pontes de safena.
Claro que tenho medo de ter outro enfarte, de ter que me operar
novamente. Tenho medo de tudo isso. Mas só quando estou em
casa e sobra tempo para pensar asneira. No palco, esqueço.
Cuidados vou ter para sempre, agora me preocupo em ter uma vida
mais saudável, cuido da alimentação e procuro
uma rotina menos estressante. Não fumo mais e não
deixo ninguém fumar perto de mim. O primordial é estar
feliz, ter projetos e estar viva. Sempre digo que se salvar do enfarte
é fácil. Mudar o quadro do comportamento que faz você
enfartar é que é difícil.
Está
conseguindo isso?
Acho que sim. Estou tentando levar uma vida melhor. Não ter
aceitado retornar para o Sai de Baixo mexeu comigo. Até
hoje o Brasil me pede para voltar ao programa. Sei que seria importante
para minha carreira. Mas avaliei o estresse e a ansiedade que iria
enfrentar e respondi que não queria.
Você está menos intransigente?
Não é uma coisa mágica. Eu exigia perfeição
dos outros e de mim também. Não tinha meio termo,
era 8 ou 80. E as coisas não são assim. Antes eu só
trabalhava em tons berrantes, agora estou adotando um tom pastel.
Quando tive o enfarte, estava no limite da insatisfação
comigo mesma, por isso me puni tanto. É óbvio que
muita coisa externa me machucou muito.
Mas quando você foi afastada do Sai de Baixo disseram
que você era difícil.
Aqueles defeitos que disseram que eu tinha, eu não tenho.
Mas eles tinham algumas razões. Eu achava que podia mudar
as coisas. Não é fácil escrever para comédia,
ter piadas maravilhosas toda semana. Não entendia por que
às vezes um programa era ótimo, e em outras não.
Essa maturidade me faltava, e isso me impedia de perceber que em
determinados momentos não se é tão brilhante.
Mas o que me magoou neste episódio é que pintaram
uma pessoa que nunca fui.
O
que mais te magoou?
Disseram que eu maltratava camareira, que exigia roupas e jóias
do Antônio Bernardo, que eu era difícil com meus colegas.
Eu nunca briguei com ninguém do elenco, nunca tive nenhum
problema ou rivalidade. Todos tinham seu espaço bem definido.
O único que era mais parecido comigo era o Miguel (Falabella),
que tinha o tipo de humor semelhante ao meu.
Você
se sentiu punida injustamente?
Claro! Acho que eles não souberam lidar com as minhas exigências,
com a maneira de eu cobrar as coisas. Optaram por me tirar. Eles
perderam muito mais do que eu ao me excluir do programa.
Isso pesou na sua decisão de não voltar ao programa?
Depois do que eu passei naquele CTI do hospital, se ainda tivesse
alguma mágoa, seria melhor ter ficado lá, nem ter
sobrevivido. Minha grande vitória foi ter zerado tudo mesmo.
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