Teatro • Home• Revista 16/5/2007
DRAMA
Eu Sou Minha Própria Mulher
Boa atuação de Edwin Luisi esbarra em virtuosismo do texto Daniel Schenker Wajnberg

Edwin Luisi vive o protagonista e mais 30 personagens

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Para manter fidelidade ao que sentia, Lothar Berfeld teve coragem de se travestir de mulher nos regimes despóticos da Alemanha e assumiu a identidade de Charlotte von Mahlsdorf. Não foi por acaso que o dramaturgo Doug Wright transformou a curiosa história em Eu Sou Minha Própria Mulher, peça escrita para um ator interpretar não só o personagem principal como também os outros 30 que atravessam a ação. E é este desafio que Edwin Luisi abraça no espetáculo dirigido por Herson Capri e Susana Garcia.

Wright realiza operações interessantes, como a decisão de se incluir como personagem do texto. No entanto, fica a impressão de que o autor teria se saído melhor se mantivesse uma estrutura simples, na qual Mahlsdorf evocasse as figuras de sua vida, ao invés de promover uma alternância de personagens. Esta segunda opção gera um exercício virtuoso de atuação que superficializa tanto a história quanto o trabalho do ator. Luisi projeta o protagonista para além da composição exteriorizada, mas não tem como criar com a mesma consistência os demais personagens, muitos reduzidos a pouco mais que uma sugestão vocal. A própria "contracena" entre Mahlsdorf e Wright fica limitada a um contraste entre um registro de composição bem marcado e seu avesso, um despojado naturalismo.

Um para todos 

Teatro Leblon - r. Conde de Bernadotte, 26, Rio. tel. (21) 2274-3536, Rio. Até 29/7.