Teatro • Home• Revista 11/6/2007
Isabel Diegues descobre o palco
Depois de trabalhar por trás das câmaras em mais de 40 filmes, a filha de Cacá Diegues e Nara Leão estréia como diretora teatral, fala de seu casamento com Pedro Bial e do filho José Pedro

TEXTO MÁRCIA MONTOJOS
FOTOS ALEXANDRE SANT'ANNA


"Me ressinto de José Pedro não ter conhecido a avó. É uma dor que eu amenizo falando dela", diz Isabel

Leia também

Cinema
Exposição
Música
Livros
Teatro
Internet
Televisão
Gastronomia
No início da conversa, ela se autodefiniu como tímida. Uma hora depois, Isabel Diegues entregou o jogo: "Sou uma tímida que fala à beça para disfarçar." Voz grave, rosto moldado por grandes olhos verdes, Isabel também é dona de um ótimo senso de humor. Característica que fica mais evidente quando ela conta as últimas estripulias de José Pedro - seu filho de cinco anos com o jornalista Pedro Bial - ou fala da nova empreitada profissional. Envolvida com cinema desde os 18 anos, a filha do diretor Cacá Diegues com a musa da bossa nova, Nara Leão, dá seus primeiros passos no teatro. É ela quem assina a direção do espetáculo Corações Urbanos, em cartaz no Rio. "Desde criança Isabel é ousada, determinada. Já namorava o teatro e mais uma vez soube aproveitar uma boa oportunidade", diz Cacá.

A aproximação com o palco aconteceu por acaso. Aluna de literatura na PUC, Isabel procurava novas formas de contar histórias quando recebeu o convite para dirigir - e aceitou sem titubear. Desde 2002, iniciara um período de distanciamento do cinema. Naquele ano lançou o longa Madame Satã como produtora e percorreu o Brasil durante três meses com o filho nos braços divulgando o filme. O esforço foi recompensado com o sucesso nas bilheterias, mas ela estava insatisfeita com a política de incentivo ao cinema. Pouco depois, enfrentou dificuldades para finalizar o curta Marina, o que a fez decidir curtir a maternidade por um tempo. "No Brasil, quem filma muito filma de três em três anos. É duro ficar com o mesmo foco durante cinco, seis anos", lamenta.

Com mais de 40 filmes na bagagem, um traz lembranças especiais: o curta Vila Isabel, com o qual levou o prêmio do Canal Plus, em Biarritz, na França, em 1998. Foi durante essa viagem que ela conheceu Bial. Eles se aproximaram no aeroporto de Paris e combinaram de se encontrar no Festival, onde o jornalista também apresentaria seu filme, baseado nos poemas de Guimarães Rosa. Seduzidos um pelo trabalho do outro, ficaram amigos antes da relação virar namoro, um ano depois. "Não sei se foi amor à primeira vista, sei que nos divertimos muito à primeira vista", lembra ela, que nasceu na capital francesa há 37 anos durante um auto-exílio dos pais.

A mãe, aliás, é uma lembrança permanente na vida da diretora. Muitas vezes José Pedro pede para dormir ouvindo canções de Nara. "Me ressinto de ele não ter conhecido a avó. É uma dor que eu amenizo falando dela, como se eu colocasse flores no vazio", diz. Muito ligada ao pai, com quem foi morar após a morte de Nara, de câncer, em 1988, Isabel aprendeu a conviver em família numerosa. Lá, eram quatro filhos. Hoje, com Bial, a turma é ainda maior. E ela adora. Além de José, Théo, de 9 anos, filho do apresentador com a atriz Giulia Gam, se divide entre as casas dos pais. Mas a confortável casa de dois andares do casal abriga mais gente. Ana, filha de Bial que mora com a mãe em Nova York, costuma ficar lá quando está no Brasil, assim como João e Marina seus irmãos maternos. "Acho superbacana, não há tempo para marasmo."