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| Leopoldo Pacheco se divide entre papel masculino e feminino |
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Pontos comuns entre A Javanesa e Pólvora e Poesia (2001) não faltam. As duas peças foram escritas por Alcides Nogueira, dirigidas por Márcio Aurélio e protagonizadas por Leopoldo Pacheco. Um amor conturbado é o tema de ambas, que trazem dois personagens em cena, e tantas semelhanças poderiam ter sido um empecilho na retomada desta parceria do trio. Se Pólvora e Poesia se apoiava no relacionamento dos poetas Arthur Rimbaud e Paul Verlaine, A Javanesa parte do encontro de dois anônimos, um homem e uma mulher, e as conseqüências da intermitente paixão nos 30 anos seguintes.
É o próprio Pacheco que interpreta o homem e a mulher. Com o mesmo figurino, sem maquiagem e praticamente sem forçar a diferenciação no tom de voz, o ator aposta nos gestos para convencer – e convence de fato – nos dois personagens. Ancorado na característica eficiente da direção minimalista de Aurélio, Pacheco consegue a proeza de se superar no papel feminino. De nada adiantaria, porém, o talento de ator e diretor, se não fosse o texto. Com A Javanesa, Nogueira experimenta e corre risco. Escreve sem medo de ser piegas, com o objetivo claro de emocionar, e não cai no vazio. Com o texto estruturado em um diálogo quebrado – como se fossem dois monólogos em que as respostas do primeiro ato só são percebidas no segundo –, Nogueira provoca o espectador para encontrar a veracidade exata na proposta de Aurélio diante da interpretação de Pacheco.
Grande reencontro    
Teatro Jaraguá – r. Martins
Fontes, 71, São Paulo,
tel. (11) 3255-4380. Até 29/7. |