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| As belas videiras ao pé das montanhas andinas na propriedade da Terrazas de los Andes em Mendoza |
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Após um vôo de 40 minutos, a partir de Buenos Aires, o avião taxia na pista e, da janela, já se avista a seqüência de videiras enfileiradas na área do aeroporto. Pela manhã cedo, o vento frio da noite andina sopra como um contraponto para as 24 horas de turismo em alta temperatura nos Andes. Você está desembarcando em Mendoza, a capital sul-americana do vinho, onde se concentram 70% dos 250 mil hectares de vinhedos argentinos. E o mínimo que se pode esperar aqui são a acolhida calorosa, a comida generosa e, claro, um vinho como não existe em nenhum outro lugar do mundo.
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| O rótulo assinado pelo hóspede convidado tem a promessa da entrega de um vinho três anos depois |
"A nossa estrela é a Malbec", explica o agrônomo Carlos Riquelme, responsável pelos 1.000 hectares da LVMH, a multinacional do luxo francesa, que produz na vinícola Terrazas de los Andes, em Mendoza, três vinhos premium - a linha "Terrazas", o "Afincado" e o "Cheval des Andes", produzido em parceria com o mítico Cheval Blanc, de Bordeaux. Luvas de borracha, tesoura e caixas de plástico são os elementos imprescindíveis para uma experiência única, porém acessível a muitos turistas, dependendo da época do ano: a colheita da uva.
A Malbec é originária da França, mas se adaptou de tal forma à altitude dos Andes que ganhou o status de uva típica da Argentina. No vinhedo Las Compuertas, na região de Vistalba, a 1.067 metros de altitude, seu fruto tem uma casca grossa, pouca polpa e um alto teor de açúcar natural. É mais doce e com menos água que a uva de mesa que se compra em supermercados. Cada caixa de 20 quilos pode ser colhida em 30 minutos por um turista inexperiente. É uma quantidade suficiente para produzir duas garrafas de vinho, e o marketing das vinícolas locais ajuda o visitante a deixar os vinhedos com a sensação de que seu trabalho será eternizado. Após a colheita, um luxo é oferecido, mas apenas aos hóspedes convidados pela vinícola: cada um recebe um rótulo para assinar seu nome - e a promessa de que, após fermentarem em tanques de inox de 40 mil litros e descansarem em barris de carvalho francês (650 euros, a unidade de 225 litros), aquelas uvas serão o vinho que você receberá em casa dentro de três anos.
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| O enólogo francês Nicola Evdibiot explica o processo de fabricação dos vinhos |
Na época da colheita (até maio, em geral), uma visita a uma vinícola de Mendoza ajuda a mergulhar nesse universo cada vez mais comum aos brasileiros. Em primeiro lugar, ganha- se, com o ingresso da degustação, uma breve lição de enologia, e até a prova de vinhos que ainda estão fermentando. No galpão de barris, onde os tintos aguardam o momento ideal de ir para a garrafa, o tilintar de taças prenuncia a descoberta (ou ao menos sua tentativa) de aromas típicos. Nos bons Malbec, é freqüente sentir o que os enófilos chamam de compota de frutas vermelhas, como se na taça houvesse resíduos de geléia de framboesa, morango ou amora. "Mas o gosto de cada um é o mais importante", diz o enólogo francês Nicola Evdibiot, da Terrazas.
Na cidade, existem hospedagens para todos os bolsos, mas nada se compara à oportunidade de ficar na casa de hóspedes de alguma das boas vinícolas (Terrazas só recebe convidados). Nelas, é mais fácil viver outros atrativos da região, a começar pela geografia imponente - com belos campos de verdes videiras alinhadas ao pé de montanhas com neves eternas. No final da tarde, o vento frio volta a soprar, como se sugerisse a hora do recolhimento após um dia agitado. Em Mendoza, é possível ao visitante sorver a essência de tudo em intensas 24 horas. Mas também é um daqueles cantos do planeta que nasceram para serem degustados em doses moderadas.
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| Casa de hóspedes da vinícola Terrazas de los Andes |
Os tanques de inox onde as uvas são fermentadas |
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