 |
| Débora Bloch: presença segura, mas sem brilhar no humor |
EM SEU PRIMEIRO monólogo, a atriz Débora Bloch busca a cumplicidade do público. Não por acaso, mistura-se entre os espectadores antes do início da apresentação, interage com alguns no decorrer dela, anda pelo corredor do teatro e atravessa fileiras de poltronas nesta nova versão de Brincando em Cima Daquilo.
Quem assiste tende a responder de forma entusiasmada, e o clima de despojamento e improviso, marcante nesta estréia de Otávio Muller como diretor, resulta bem adequado, contaminando não só a interpretação da atriz como a concepção da cenografia e dos figurinos. Mas o espetáculo projeta-se um pouco demais para fora do palco, e parte da força do texto de Dario Fo e Franca Rame parece se perder nesta movimentação excessiva. Em alguns instantes, fica a sensação de que se trata de mais uma montagem que procura tão-somente produzir uma identificação direta (e passiva) com a platéia.
Débora Bloch passa na difícil prova do monólogo, na medida em que sustenta uma presença segura. No entanto, não chega a brilhar no humor e poderia impor mais autoridade cênica nos momentos contundentes deste desabafo feminino em relação a um mundo tomado por homens insensíveis e autoritários.
(D.S.W.)  
Teatro dos Quatro – R. Marquês de São Vicente, 52/2º andar, tel. (21) 2274-9895. Até 5/8.
|