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| A cauda do avião foi a única parte intacta que sobrou do Airbus 320 da TAM que explodiu ao se chocar com o prédio da TAM Express quando tentou pousar no Aeroporto de Congonhas na terça-feira 17 |
O número oficial de vítimas do acidente com o Airbus 320 da TAM chegou a 199. Na segunda-feira 23, a lista de mortos passou a computar o taxista Thiago Domingos da Silva, 22 anos. O carro dele, um Corsa 2004, estava parado no posto de gasolina, ao lado da TAM Express, e foi atingido pela aeronave que se chocou com o prédio e explodiu. O óbito só foi admitido depois que a noiva do taxista, Jaqueline Cristiane Souza dos Santos, reconheceu documentos manuscritos com a sua letra dentro da carcaça do veículo encontrado pelos bombeiros em meio aos escombros. Com o calor do fogo, até mesmo o número do chassi do veículo derreteu, o que dificultou a identificação. O drama dos desaparecidos transforma o acidente em uma tragédia sem fim. Pelo menos outros oito corpos continuam sem figurar na lista oficial.
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| Parentes e amigos das vítimas deitam de braços cruzados no chão do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, na sexta-feira 20, para protestar contra o descaso das autoridades |
Os parentes das 187 vítimas que estavam entre os passageiros do vôo JJ 3054 começam a se mobilizar em todo o País. Em meio à comoção dos sepultamentos dos 63 corpos já identificados, eles fazem protestos contra o descaso das autoridades. Na sexta-feira 20, 130 pessoas deitaram de braços cruzados no chão do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Vestidas de preto, levavam no peito os nomes dos parentes mortos. Além de protestar contra a falta de providências para acabar com o caos aéreo e a falta de segurança nos aeroportos brasileiros, eles lamentavam a postura das maiores autoridades do setor. Na mesma tarde, em Brasília, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Milton Zuanazzi, foi condecorado com a medalha Santos Dumond, pelos "serviços prestados". Na noite anterior, o assessor especial da presidência da República, Marco Aurélio Garcia, foi flagrado fazendo um sinal desrespeitoso ao assistir a uma reportagem sobre um problema técnico no avião da TAM. Vibrou pela informação que diminuiria a responsabilidade do governo no acidente.
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| No domingo 22 familiares e amigos se reúnem em missa na Sé |
A insensibilidade dos governantes contrasta com a comoção que tomou conta do País. No domingo 22, uma missa na Catedral da Sé, em São Paulo, reuniu mais de 1.200 pessoas entre familiares e amigos de vítimas. Dois dias antes, o deputado federal Júlio Redecker (PSDB-RS), de 51 anos, foi velado no Palácio Piratini, em Porto Alegre. O sentimento de insegurança depois de um segundo acidente aéreo de grandes proporções no espaço de 10 meses já começa a repercutir no cotidiano. O medo de voar levou o grupo de comunicação Record a proibir que seus funcionários utilizem o Aeroporto de Congonhas em seus deslocamentos a trabalho. "É um protesto contra o descaso, contra a falta de ação dos responsáveis. Governo federal, Aeronáutica, Infraero, Anac, companhias aéreas...", relata Ricardo Frota, gerente nacional de comunicação da Record.
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| Comoção no velório do deputado federal Júlio Redecker |
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