FAZER PEÇA infantil não é lá um trabalho muito fácil. Poucos são os textos voltados para as crianças que não soam bobos para os adultos e que são adaptados sem exageros. Uma das exceções à regra, Peter Pan, que há anos encanta pais e filhos, acaba de entrar para o time da bobagem com sua mais recente adaptação, Peter Pan – Todos Podemos Voar. Se uma palavra pudesse definir esta montagem dirigida por Ariel de Mastro, seria tosca. Apesar do investimento de R$ 2 milhões, a peça exagera no uso da tecnologia e se esquece da parte lúdica.
Certo que é divertido ver personagens voando e efeitos especiais, que às vezes mais fazem o teatro parecer uma boate. Mas não faz sentido investir tanto dinheiro nisso e deixar as coisas reais de lado, como o rabo do crocodilo que quase descola ou as espadas tortas usadas nas cenas de luta.
Por mais carismático que Leonardo Miggiorin seja, falta voz para entoar as canções. Não há uma única música na qual ele não desafine, problema que é devidamente compensado sempre que ele contracena com o Capitão Gancho de Felipe Carvalhido. Apesar de sua atuação exagerada, são dele os melhores momentos.
Credicard Hall
Av. das Nações Unidas, 17.955
Tel. (11) 6846-6010.
Até 16/9. |