Teatro • Home• Revista 21/8/2007
Um Dia, no Verão
Monique Gardenberg faz espetáculo elegante, mas deixa pouco espaço para a imaginação

O TEMPO é o protagonista de Um Dia, no Verão, peça de Jon Fosse sobre uma mulher que, ao ser confrontada com o súbito desaparecimento do marido, não consegue, ao longo dos anos, libertar-se dessa tragédia, permanecendo presa a um trauma (ou à lembrança do trauma?) e impossibilitada de escapar daquilo que tanto a amedronta – no caso, o mar.

Renata Sorrah em Um Dia, no Verão: elenco sem destaques individuais

Monique Gardenberg assina uma montagem marcada pela insistência em imprimir a atmosfera melancólica do texto por meio da cenografia notadamente realista e da trilha sonora. O resultado esbanja elegância e bom gosto, com destaque para a reprodução de manifestações da natureza (chuva e vento) importantes para a personagem, mas não deixa muito espaço para a imaginação do público. Mesmo quando a diretora procura se contrapor ao tom sóbrio do espetáculo, a agitação que toma conta da cena parece algo reiterativa em relação à tensão presente no próprio texto.

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No que diz respeito à interpretação dos atores, todos investem num registro contido (com exceção, em certa medida, de Fernando Eiras). Mas o esforço em buscar uma fala destituída de contundência e um gestual discreto nem sempre gera uma execução orgânica. Renata Sorrah, Silvia Buarque, Gabriel Braga Nunes, Bia Junqueira e Dadá Maia formam um conjunto homogêneo. Daniel Schenker Wajnberg

Teatro Nelson Rodrigues
Aav. República do Chile, 230, Rio
Tel. (21) 2262-5483. Até 16/9.