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| Asne Seierstad escreve sobre a Sérvia em De Costas para o Mundo |
Como encontrou tipos tão díspares, como o roqueiro e a esposa do criminoso de guerra?
Foi um quebra-cabeça planejado. Morei com duas estudantes que me ajudaram a achar os mais jovens. Minha tradutora me apresentou ao camponês, seu tio, e o prefeito de Nis era conhecido do embaixador norueguês. Tive sorte.
Tem notícias recentes?
Pouco mudou. Após a queda, em 2000, do presidente Slobodan Milosevic (que morreu em 2006, na prisão), continua a difícil retomada da democracia, marcada pelo assassinato do primeiro-ministro Zoran Djindjic, em 2003, e os conflitos entre nacionalistas e “modernos”.
Ao contrário do livreiro de Cabul, nenhum sérvio a processou por difamação.
Percebo agora que, diferentemente dos personagens daquele livro e de 101 Dias em Bagdá, os sérvios se tornaram meus amigos. Ano passado, lançamos a obra lá, e quase todos foram prestigiar.
Tem atração por países em guerra?
De jeito nenhum. Foi coincidência. Em 1994, aos 24 anos, era correspondente de um jornal na Rússia quando estourou a guerra na Chechênia. Fui ver com meus próprios olhos e fiquei tão chocada que senti a necessidade de reportar aquilo. Depois, trabalhei na tevê e me enviaram para Kosovo, Afeganistão e Iraque. Mas meus livros são sobre o pós-guerra: o efeito do conflito na mente das pessoas, como ele traz o melhor, ou o pior, de cada um.
Qual o tema do próximo livro?
A Chechênia. Sigo o mesmo padrão e acompanho a vida de crianças que nasceram no início da guerra e hoje são adolescentes. De certa forma, sou uma personagem também.
Suzana Uchôa Itiberê |