 A SOMALI Ayaan Hirsi Ali vive sob proteção desde 2004, quando Theo Van Gogh foi assassinado. Ele dirigiu o filme Submissão, do qual ela foi roteirista, e denunciou maus tratos praticados contra mulheres em nome do islamismo. O cineasta levou tiros e foi degolado, e uma carta foi cravada em seu peito, endereçada a Ayaan. Era uma ameaça de morte. Mas, na verdade, ela enfrenta a morte desde criança.
Em sua autobiografia, Infiel – A História de uma Mulher que Desafiou o Islã (Companhia das Letras, 512 págs., R$ 49), Ayaan narra uma história de horror. A autora inicia seu relato descrevendo quem é, de acordo com a tradição somali, dizendo os nomes de seus antepassados. É a partir da apresentação de rituais que a escritora revela como é difícil se adaptar a eles.
Não sem razão. Porque o islamismo de que Ayaan fala é o mais radical, envolvendo a mutilação, o espancamento, a humilhação. Ela passou por isso tudo e, ainda assim, demorou a perceber a crueldade daquela prática dita religiosa. Quando isso ocorreu, conseguiu fugir.
Por mais difícil que seja a leitura, com descrição do que parece uma tortura diária e eterna, o texto levanta argumentos e questionamentos, o que, no mínimo, possibilita a discussão. E esse é seu maior mérito. Aina Pinto
   
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