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| Cuenca: dois amigos flanam entre bares e mulheres em O Dia Mastroianni |
“QUANTOS foram os minutos da sua vida em que você pôde dizer que realmente aconteceu alguma coisa?” A frase está logo no início de O Dia Mastroianni (Agir, 214 págs., R$ 34,90), segundo romance de João Paulo Cuenca, saudado como uma promissora revelação com Corpo Presente. Numa cidade que são várias, os dois protagonistas, Pedro Cassavas e Tomás Anselmo, vestidos a caráter, de terno e chapéu, replicam aventuras típicas de Marcello Mastroianni, flanando por bares, entre mulheres. Sem roteiro fixo e sem sentido. Repetem clichês, lugares-comuns, citações. “Sou único! Antepassado de mim mesmo! E, ao mesmo tempo, nunca disse nada que não houvesse sido dito antes...”, diz Pedro.
Entre as peripécias dos dois amigos, um editor-leitor dialoga com o protagonista, ameaça-o.

Romance de geração, O Dia Mastroianni reflete jovens de classe média, lotados de informações, de pretensões supostamente artísticas, porém quase sempre desertos de pensamentos originais e de projetos. Jovens sem destino, presos a uma adolescência que jamais termina. O autor sabe rir com eles, e também deles. Cuenca poderia cair na superficialidade de seus protagonistas, de seus patéticos personagens, mas não. No último capítulo, a narrativa em terceira pessoa, e a virada que faz entender por que ele é considerado um dos mais promissores escritores de sua geração. Mariane Morisawa
  
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