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Carlos Fuentes: volta ao realismo fantástico |
CONHECIDO por clássicos como A Morte de Artêmio Cruz, Terra Nostra e Gringo Velho, o mexicano Carlos Fuentes mostra que continua em boa forma com os seis contos deste Inquieta Companhia (Rocco, 268 págs., R$ 38). Não são exatamente histórias curtas, mas tramas relativamente longas, a maioria em torno de 40 páginas.
O conto que encerra o livro, “Vlad”, com 71 páginas, é quase um romance. É também o mais interessante do livro, uma criativa adaptação da manjada história do Conde Drácula. O vampiro de Fuentes é sedutor, com um vigor que em nada lembra os mortos-vivos de Bela Lugosi ou Christopher Lee, atores que o imortalizaram no cinema. Ambientada na Cidade do México, a trama ganha outro contexto, uma parábola do cotidiano do homem moderno.
A narração em primeira pessoa lembra Jorge Luis Borges, mas o tom romântico o aproxima mais de outro importante autor argentino, Bioy Casares. Não por acaso, um dos personagens acaba entrando na peça de teatro em que atua a misteriosa mulher por quem se apaixonou platonicamente, depois de meses observando- a da janela de seu apartamento, clara homenagem a Invenção de Morel, obra-prima de Casares.
O maior mérito de Fuentes é a capacidade de criar uma ambientação envolvente em poucas linhas. Mais discutível é a tentativa de retomar o realismo fantástico, gênero clássico da América Latina dos anos 60 e 70. Por mais que alguns contos sejam muito bons, algo soa datado.
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