Livros • Home• Revista 10/12/2007
Ping-Pong MARTA GÓES
Parte da história do teatro nacional
Aina Pinto

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Marta Góes lança Alfredo Mesquita – Um Grã-Fino na Contramão (Editoras Albatroz, Loqüi e Terceiro Nome, 232 págs., R$ 36), com a história do fundador da Escola de Artes Dramáticas de São Paulo num tempo em que a profissão de ator era considerada marginal

Por que Alfredo Mesquita estava na contramão?
Porque ele era de uma família aristocrática e poderosa da cidade, mas optou por se dedicar a causas que eram vistas como marginais, como o trabalho do ator. Ele ajudou que essa profissão fosse respeitável, graças à idéia de que atores mereciam ter formação superior.

Por que centrou a sua pesquisa no trabalho dele com teatro?
Porque foi a maior obra dele. Foram 20 anos à frente da EAD. Falo de outros trabalhos dele, de contista, por exemplo, mas foi como educador que ele se destacou.

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A família interferiu em algo?
Foi um ano de pesquisa, e não interferiram em nada. Eu que decidi o tom que daria ao livro. Algumas pessoas da família me ajudaram, mostrando ensaios, fotos. Mas foi falando com amigos, alunos, pessoas que trabalharam com ele que consegui as entrevistas mais prolíficas, como a de Antonio Candido, que me contou não só sobre ele como também sobre São Paulo dos anos 30, 40, dando um colorido de época ao livro.

Como fez para não ser apenas elogiosa em relação ao biografado?
Ele era conservador, tinha uma formação da cultura do século 19, mas gostava de ousadias. Foi a primeira pessoa a montar Samuel Beckett no Brasil. Porém uma das amigas dele contou que, às vezes, ele se portava como um grão-senhor e tinha momentos de frivolidade. Não são coisas desabonadoras, mas humanas. Isso tudo está no livro.