Gastronomia • Home• Revista 17/12/2007
Selbach-Oster
A versatilidade do Riesling
O alemão Johannes Selbach mostra no Brasil seus elogiados vinhos, exportados para o mundo inteiro

Gustavo Maia

Fotos: CLAUDIO GATTI/ AG.ISTOÉ
Johannes Selbach, em São Paulo: mercado para o Riesling cresceu 50% em dois anos

Os vinhedos da família Selbach, nas encostas do rio Mosel, na Alemanha, datam do século 17. Documentos apontam que a primeira colheita aconteceu em 1661. Quase 350 anos depois, o plantio das uvas Riesling nas propriedades dessa família alemã segue os mesmos métodos do passado, mas hoje atende a uma demanda dos quatro cantos do mundo. Para colocar o Brasil nesse mercado, que cresceu 50% nos últimos dois anos, o responsável por essa produção tricentenária, Johannes Selbach, esteve em São Paulo e pôs à prova os vinhos da Selbach- Oster, elogiados por publicações especializadas, em uma harmonização nada convencional com as iguarias japonesas do badalado Jun Sakamoto, no bairro de Pinheiros. “Eventos como esse mostram a versatilidade do Riesling”, afirmou Selbach, que apresentou rótulos como “Zeltinger Sonnenuhr Riesling Kabinett Trocken 2004” (US$ 45,90) e o “Bernkasteler Badstube Riesling Spätlese 2003” (US$ 51,60).

Originária dos solos com baixo pH da Alsácia e do sudoeste alemão, a Riesling resulta num vinho de acidez alta, exuberante quantidade de açúcar e graduação alcoólica baixa.

Leia também

Cinema
Exposição
Música
Livros
Teatro
Internet
Televisão
Gastronomia

Esses atributos casam perfeitamente com o clima do nosso País e os pratos da nossa gastronomia, como peixes, frutos do mar, temperos fortes e pimentas. Mas, apesar da fácil harmonização, o vinho alemão perfeitatem uma barreira a vencer antes de virar unanimidade no Brasil. “A herança dos vinhos de garrafa azul ainda é um problema para as exportações”, diz Selbach. O produtor desaprova os conhecidos Liebfraumilch pelos métodos de produção, integralmente industriais, pela falta de critérios na seleção de uvas e principalmente pela garrafa. “A cor azul reduz a durabilidade e interfere no sabor do produto.”

Apreciador de um bom prato e bebedor entusiasmado de vinho – duas garrafas todas as noites na companhia da mulher –, Johannes começou na enologia como fã incondicional dos clássicos franceses. Estudou em Bordeaux e se formava na faculdade quando recebeu do pai a incumbência de encabeçar os negócios da família. Hoje ele exporta até para grandes países produtores de vinho, como Espanha, Nova Zelândia, França e Itália. “O interesse pelo Riesling cresce a cada ano. Os apreciadores de vinho querem sabores novos de castas diferentes”, afirma o alemão, justificando o “boom” comercial dos últimos dois anos. “É muito fácil amar o Riesling. Basta descobri-lo.”

Vinci Vinhos – tel. (11) 6097-0000
www.vincivinhos.com.br

BRASILEIROS NO ATLAS

A aguardada sexta edição do The World Atlas of Wine, dos críticos Jancis Robinson e Hugh Johnson, traz boas novidades para os vinhos brasileiros. Pela primeira vez, três rótulos nacionais foram incluídos no volume

“TALENTO 2004”, DA SALTON
Corte de Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Tannat (10%) vindo de uma das melhores safras da história e provado pelo papa Bento XVI na recente viagem ao Brasil, de cor bordô intenso.
“QUINTA DO SEIVAL 2004”, DA MIOLO
Vinho feito com uvas Cabernet Sauvignon, com assessoria do enólogo francês Michel Rolland. Tem tonalidade vermelho-rubi e púrpura.
“EXCELLENCE PAR CHANDON”
Espumante feito com uvas Chardonnay e Pinot Noir, colhidas em estágio de maturação avançado, de cor amarelodourada com reflexos verdes.