Livros • Home• Revista 17/12/2007
Ping-Pong LUIZ ALFREDO GARCIA-ROZA
"Não me inspiro na violência carioca"
Por 40 anos, Luiz Alfredo Garcia-Roza dedicou-se à vida acadêmica. Há uma década, largou tudo pela ficção policial. O delegado Espinosa, herói de seus livros, enfrenta um psicopata em Na Multidão (Companhia das Letras, 184 págs., R$ 32).

Suzana Uchôa Itiberê

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Luiz Alfredo Garcia-Roza lança Na Multidão

Como explica a fixação do psicopata pela multidão?
É uma maneira de se esconder. Ele se dilui na multidão, se torna invisível. O romance policial nasce quando nasce a metrópole. O assassino da pequena cidade, uma vez cometido o crime, tem de fugir.

Por que deixou a vida acadêmica?
Queria mudar. Continuar no impulso seria correr a ladeira até parar. Sempre gostei de ficção e do gênero policial. Agora, tenho uma liberdade que não existe no texto teórico. Não foi um corte com a linguagem, mas uma transmutação do tipo de escrita.

Espinosa é seu herói mais popular, mas foi o detetive Vieira que ganhou as telas em Achados e Perdidos.
O filme não foi iniciativa minha e não participei de nada. O diretor José Jofilly ficou à vontade, tanto que não usou o Espinosa, o que é curioso. É como adaptar uma história de Sherlock Holmes e o detetive não aparecer.

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A violência do Rio de Janeiro é pouco citada.
Não me inspiro na violência carioca, até porque o homem pode ser violento em qualquer lugar. Não sou indiferente à violência no Rio, mas como ficcionista me dou ao luxo de não tematizá-la.

Como é seu processo criativo?
Anárquico. Começo com uma passagem qualquer, quase sempre uma cena do cotidiano. A deste livro é uma pensionista na fila de uma agência bancária. Em algum ponto, a trama policial acha o seu lugar.