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O panda de Hollywood
O comediante Jack Black, que empresta a voz ao urso atrapalhado da animação kung fu panda revela que é inseguro e sempre rejeita inicialmente os papéis que lhe oferecem

TEXTO MARINA MONZILLO

Fotos: AP

Ele não tem o físico de Brad Pitt, os olhos azuis de Leo DiCaprio nem a beleza madura de George Clooney, mas Jack Black conquistou seu espaço em Hollywood com personagens apaixonados, cheios de energia, que muitas vezes parecem perdedores, mas acabam provando ser sujeitos de valor. Foi assim, por exemplo, em Escola do Rock (2003) e Alta Fidelidade (2000) – filme que o projetou. O californiano de 38 anos ainda tem no currículo a superprodução King Kong (2005) e o par romântico com Kate Winslet em O Amor Não Tira Férias (2006). A partir de 4 de julho, sua voz poderá ser ouvida em Kung Fu Panda, animação em que dubla Po, um urso fofo, estabanado e preguiçoso que sonha em ser mestre de kung fu. “‘Esse personagem é você’, me disseram, e pediram para usar minha própria voz e não criar uma caricata”, explicou Jack Black, em um batepapo com jornalistas em Los Angeles.

O ator concorda que, como o personagem – que é motivado a treinar em troca de comida – ele também é movido a doces: “Se você me servisse uma torta de cerejas, eu te daria uma entrevista maravilhosa”, brinca ele, que exagera e diz ainda ser parecido com o panda no tamanho e na quantidade de pêlos.

Po trabalha num restaurante antes de iniciar no kung fu, e Black também fez bicos antes de virar astro. Em um deles, vendia de porta em porta fitas cassete com som de baleias, para relaxamento. “Nunca consegui vender uma. Não conseguiram me demitir, porque depois de alguns dias, não apareci mais, decidi ficar em casa e esperar trabalhos como ator”, lembra ele.

Inseguro

O comediante revela que desde criança gostava de ser o centro das atenções. “Era inseguro, e precisava fazer as pessoas rirem para me sentir bem. O humor era a minha fraqueza, mas também a minha força, que me levou a atuar”, conta. A insegurança ainda está lá. Ele revela que, inicialmente, disse não a todos os papéis que acabou fazendo. “Nunca acho que sou o cara certo. Depois penso melhor e percebo que é só meu medo irracional”, diz.

De cabelos descoloridos por causa de seu personagem em Tropic Thunder, que filmou recentemente no Havaí, Black gosta de falar de outro papel: o de pai. Sam, de um ano e meio, é seu filho com Tanya Haden, que atualmente espera mais um bebê. “Por enquanto, não fiz nenhuma besteira, mas ter dois é três vezes mais difícil.”


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