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| O ator Emile Hirsch vive Speed nas telonas |


RESPONSÁVEIS pela bemsucedida série de filmes Matrix, os irmãos Andy e Larry Wachowski foram chamados pelos produtores de Speed Racer para dirigir esta adaptação para os cinemas de um dos desenhos animados de maior longevidade na tevê brasileira. A escolha dos irmãos tinha uma boa razão: assim como Matrix, Speed Racer utiliza a mistura de atores em carne e osso com cenários virtuais, na conhecida história do jovem talentoso que enfrenta vários inimigos em corridas disputadas mundo afora.
O desenho original chegou ao Brasil nos anos 70, fez grande sucesso e andou esquecido, até ser resgatado, nos anos 90, pela MTV, e depois pelo canal pago Cartoon Network, onde conquistou uma nova legião de fãs. Foi um dos pioneiros a usar um truque que depois virou rotina na tevê japonesa: fazer olhos dos personagens mais arredondados, de modo a facilitar a aceitação do público ocidental.
Graças aos irmãos Wachowski, o filme é tecnicamente impecável e com um ritmo alucinante. A linguagem é rápida e dinâmica, com os inimigos aparecendo o tempo todo, sem dar tempo de ninguém respirar. Ou seja, o modelo são os videogames. O problema é que os produtores gastaram toda a verba nos efeitos de computação gráfica, deixando pouco para o roteiro. O resultado é uma trama confusa, perdida em meio ao show pirotécnico de carros que colidem o tempo todo sem nunca amassar. Lembram aqueles brinquedos de bate-bate dos parques de diversões.
O curioso é que, apesar de planejada para a tela grande, essa versão é claustrofóbica, bem ao contrário do desenho original. Isso se deve ao fato de a maioria das corridas ser disputada em autódromos indoor que mais parecem autoramas high-tech, e também ao excesso de inimigos nas pistas. O visual não ajuda, pois os cenários reais exageram nas cores berrantes, que lembram os filmes mais espalhafatosos de Pedro Almodóvar.
Ao menos conservaram o tradicional barulho das molas quando Speed aciona o botão de saltar e a antiga trilha sonora, que ganhou versão tecno. É possível que este novo Speed Racer agrade os jovens fãs do desenho, especialmente os mais afeitos aos videogames. Mas os velhos fãs e os adultos que levarem seus filhos ao cinema irão morrer de tédio. E nem adianta tentar tirar um cochilo na poltrona: o filme é muito barulhento.