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Jonas, o Copromanta
Suzana Uchôa Itiberê

Patrícia Melo mantém o ritmo ágil e destila humor ferino em novo livro

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NA VISÃO do protagonista de Jonas, o Copromanta (Companhia das Letras, 176 págs, R$ 36,50), o final ideal para Lolita, de Nabokov, teria o pedófilo Humbert Humbert dopado, castrado e roubado por sua vítima. E Dostoievski jamais deveria ter enviado Raskolnikof, o herói de Crime e Castigo, para a Sibéria, mas tê-lo feito casar “com a chata da Sônia”. Além de reescrever os clássicos de seus autores preferidos, Jonas acredita poder adivinhar o futuro a partir do estudo das formas de suas fezes. Um dos tipos mais inusitados da obra de Patrícia Melo, Jonas é também uma de suas criações mais trágicas – a imagem do desvario e da solidão.

Assim como a escritora, Jonas é admirador de Rubem Fonseca e, ao ler o conto “Copromancia”, do livro Secreções, Excreções e Desatinos, se vê plagiado na história do homem obcecado em observar e catalogar seu bolo fecal. Fonseca torna-se personagem da trama e passa a ser perseguido por aquele sujeito paranóico que o acusa de apropriação de idéias. Patrícia mantém o ritmo ágil e destila o mesmo humor ferino de Acqua Toffana e O Matador. A força maior, contudo, está na voz do próprio Jonas. A retidão com que se debruça sobre teorias conspiratórias faz transbordar desequilíbrio e vulnerabilidade.

LI E GOSTEI
A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
(Intrínseca, 500 págs., R$ 39), de Markus Zusak “É mais uma obra que estou adorando. Como tenho mania de ler vários ao mesmo tempo, ainda estou na metade deste. Achei muito interessante e emocionante a história da protagonista, que busca o sentido de tudo que vive, em meio à miséria, à morte e à destruição, na época do nazismo”
Bruno Gagliasso, ator


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