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| Caetano no palco mostra ótima forma vocal e defende o jogador Ronaldo |



FESTEJADO pela crítica ao exercitar a nostalgia da modernidade no álbum Cê (2006), Caetano Veloso vai manter a aura indie, a julgar pelo show Obra em Progresso, criado para possibilitar a experimentação em cena de arranjos, sonoridades e músicas inéditas que darão origem a um CD. Em cartaz no Rio às quartas-feiras, até o fim de junho, o espetáculo resulta intencionalmente embrionário. Não há cenário, e a iluminação é básica. O foco repousa nos timbres urdidos pelo jovem trio que moldou Cê e que destaca o guitarrista Pedro Sá. Aliás, uma das possibilidades apontadas para o novo disco é a execução de sambas com o ritmo estruturado a partir da guitarra de Sá.
Das músicas inéditas, “Por Quem” – sustentada em falsete por um Caetano em ótima forma vocal – se impõe por sua beleza tão estranha quanto pungente. A mesma estranheza que adorna o samba torto “Perdeu”, de tons sombrios. Já “Cor Amarela” soa mais palatável, a ponto de ter tido seu ritmo marcado com as palmas espontâneas da platéia. No todo, Obra em Progresso ratifica o que Cê já sinalizara: a música de Caetano seduz hoje mais pela sonoridade do que pela melodia. Contudo, o artista sabe costurar roteiro que dá o que falar. Pretendendo dar um “caráter jornalistico” ao show, o cantor tirou do baú sua poética “Três Travestis”, gravada por Zezé Motta em 1982 e revivida pelo autor em alusão ao escândalo que envolveu o jogador Ronaldo. Apresentado em bloco de voz e violão, já tradicional nos shows do cantor, o número é seguido por longo discurso em defesa do jogador.