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AVENTURA
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
Harrison Ford demora para desenferrujar no novo filme da série

Thiago Stivaletti, de Cannes

DIVULGAÇÃO
Piadas sobre envelhecimento de Indiana Jones fazem parte desta seqüência

APÓS MUITO TEMPO de espera dos fãs, aconteceu o que mais ninguém acreditava: Steven Spielberg finalmente se reuniu com o astro Harrison Ford e o amigo e produtor George Lucas para uma quarta aventura de Indiana Jones, 19 anos depois do terceiro filme da série. Em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Ford volta à pele do arqueólogo aventureiro que o imortalizou.

Mas o ator não é mais exatamente o perfil do homem viril: está com 65 anos, e essa idade é bem visível na primeira parte do filme. Nas primeiras seqüências de ação, o astro está bem enferrujado e faz um grande esforço físico para encarar as cenas de luta e perseguição.

Spielberg e Lucas tiveram uma boa idéia: como os outros filmes da série são ambientados durante a Primeira e a Segunda Guerra, incluindo alguns vilões nazistas, este se passa em 1957, já durante a Guerra Fria, com referências à bomba atômica e uma vilã soviética, Irina Spalko – Cate Blanchett, divertindo-se com uma peruca preta de cabelo curto, franja reta e uniforme masculino.

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Mas toda a primeira metade do filme causa um estranhamento duro de quebrar. Há uma série de piadinhas sobre o envelhecimento de Indiana e quanto ele não tem mais idade para todas essas aventuras. E os cenários são completamente artificiais, o que faz tudo parecer uma grande paródia.

O Reino da Caveira de Cristal melhora muito na segunda metade, quando entra o jovem Mutt Williams (Shia LaBeouf, de Transformers), possível herdeiro do herói, cheio de energia e juventude. Mutt ajuda Indiana a desenferrujar, Ford fica mais à vontade nos momentos de ação, e Spielberg entrega cenas que deixam pouco a dever aos anteriores, como uma seqüência de perseguição em jipes com todos os personagens que dura quase dez minutos.

O final guarda muitas surpresas sobre a caveira de cristal do título, com um desfile de cenas de encher os olhos, entre maldições e poderes ancestrais. Ainda bem que Spielberg mantém o ar nostálgico das aventuras de Indiana Jones, e não tenta usar efeitos especiais ultramodernos para repaginar as aventuras do herói. Talvez os mais novos se decepcionem, mas os eternos adolescentes dos anos 80 vão agradecer.


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