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Falta musicalidade à atriz Scarlett Johansson |
ESTRELA DE FILMES como Match Point, a atriz Scarlett Johansson debutou como cantora em 2006 ao regravar "Summertime", o clássico de George Gershwin (1898 -1937), para o álbum beneficente Unexpected Dreams: Songs from the Stars. O que deveria ter sido apenas um gesto simpático motivou Johansson a encarar carreira fonográfica que, a julgar por seu primeiro disco, Anywhere I Lay my Head, vai ser inexpressiva. Falta musicalidade à sua voz de pouco alcance - defeito amplificado pelo fato de a atriz ter dedicado seu CD de estréia à obra do compositor americano Tom Waits, dono de canções urdidas com densas imagens poéticas e espírito teatral
Em ambiente etéreo, Johansson aborda Waits escorada na produção de David Andrew Sitek, guitarrista do grupo nova-iorquino TV on the Radio. Sitek contribui para o fracasso do disco por tirar Waits de seu universo original com toque modernoso. "I Don't Wanna Grow Up", por exemplo, ganha equivocada batida pop dance. A impressão que fica é a de que o produtor se achou mais importante do que a cantora estreante. Ele padroniza o cancioneiro multifacetado com arranjos que, volta e meia, ofuscam a voz de Johansson. Talvez tenha sido intencional, pois a pretensa cantora faz vôo raso sobre a bela obra de Waits. Nem a pequena ajuda do amigo David Bowie, que faz vocais de apoio em "Falling Down" e "Fannin' Street", consegue dar charme a um álbum que não vai despertar a menor atenção, uma vez satisfeita a curiosidade inicial de ouvir a boa atriz soltar sua voz opaca em músicas que pediam intérprete mais qualificada.