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| Alanis Morissette experimenta batidas eletrônicas em novo disco |
AOS 34 ANOS, completados em 1º de junho, Alanis Morissette já não encarna a jovem que, em 1995, cuspiu raiva adolescente em direção aos homens num dos álbuns mais cultuados do rock, Jagged Little Pill. Em seu sétimo álbum de inéditas, Flavors of Entanglement, a cantora e compositora canadense confirma o amadurecimento revelado no anterior So- Called Chaos, de 2004. Na balada "Torch", a artista lamenta o fim de seu relacionamento com o ator Ryan Reynolds com maior equilíbrio emocional.
Mais do que o tom dos versos confessionais de Alanis, a mudança mais significativa de Flavors of Entanglement reside na associação da artista com o produtor Guy Sigsworth, que pilotou alguns dos álbuns mais incensados da cantora islandesa Björk (entre eles, Homogenic e Post). Sigsworth turbinou o disco com loops e batidas eletrônicas que dão nova pulsação ao som da cantora em faixas como "Citizen of the Planet", que incorpora elementos indianos, e "Straitjacket", tema moldado para as pistas.
O CD é bom, mas peca justamente pelo excesso de produção em alguns momentos. Até porque a música de Alanis dispensa artifícios pelo discurso sempre sincero da artista. Uma das faixas mais sedutoras é "Not as We", pungente balada entoada pela cantora na companhia solitária do piano tocado pelo próprio Guy Sigsworth. No geral, o álbum sinaliza que Alanis Morissette soube crescer na vida e na música em vez de encarnar para sempre o papel da namoradinha irada.