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Leo Jaime esboça reflexões melancólicas em álbum de inéditas |



ASSOCIADO à vertente bem-humorada do rock dos anos 80, Leo Jaime viu sua carreira esfriar na década seguinte quando quis esticar a adolescência no álbum Sexo, Drops & Rock'n'Roll (1990), em que tentou em vão emplacar a faixa "Eu Vou Comer a Madonna". Posto na geladeira pela Warner Music, ele ainda gravou CD de covers em 1995 antes de sumir. Treze anos depois, quase cinqüentão, o cantor volta com Interlúdio, álbum de inéditas em que esboça reflexões melancólicas a respeito da vida e do amor. "Tudo cai, tudo esfria / Todo mundo vai embora um dia", resignase em "Mesmo Assim", uma das baladas que compõem o repertório criado com nomes como Alvin L. e Leoni. Arranjado com tonalidades suaves, Interlúdio se revela inspirado e resulta sedutor na voz de Jaime, um dos cantores mais afinados da desafinada geração roqueira dos anos 80.
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"O amor me esqueceu/ Me deixou em paz", reclama na faixa-título, em clima intimista e ligeiramente jazzy, pontuado pelo sax de Milton Guedes. Enfim, Leo Jaime cresceu e reapareceu. Resta saber se o mercado ainda está receptivo para ouvir um dos artistas mais talentosos do pop nacional, que acabou injustamente sem trânsito na indústria fonográfica pelo temperamento forte que o fez recusar convites para gravar projetos ao vivo de caráter retrospectivo. (M.F.)