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O holandês Cees Nooteboom não usa estereótipos para retratar brasileiras |
FREQÜENTEMENTE indicado ao Prêmio Nobel de Literatura, o holandês Cees Nooteboom é um dos autores mais premiados da sua geração. Este Paraíso Perdido (Companhia das Letras, 158 págs, R$ 32,00) contém elementos presentes em outras obras suas, como as constantes viagens e reflexões existenciais. Aqui há um componente a mais: o misticismo. Os anjos são constantes na história de Alma e Almut, duas amigas brasileiras de origem alemã que saem numa viagem à Austrália. Alma vive um drama pessoal, pois seu carro quebrou em meio a uma favela paulistana e ela foi estuprada.
Mas ninguém espere uma personagem ressentida. Ao contrário, Alma tinha uma vida sem perspectivas bem antes de encontrar seu destino cruel. Também não há o misticismo típico dos livros sobre anjos que povoam as prateleiras esotéricas. As personagens estão em busca de algum sentido para suas vidas e o leitor vai encontrar muito mais filosofia que esoterismo.
O escritor Nooteboom é um eterno viajante. Já foi marinheiro na juventude e hoje vive entre um aeroporto e outro, em busca de paisagens exóticas e inspiração para suas histórias. Não deixa de ser curioso ver um holandês retratando duas brasileiras sem nada dos estereótipos que costumamos ver em personagens latinos criados por europeus. Ao contrário, elas são muito dignas em sua melancolia. Marcelo Lyra