Em 1993, Zlata Filipovic ficou conhecida como a "Anne Frank de Sarajevo", por suas memórias dos horrores da guerra dos Bálcãs. Em Vozes Roubadas - Diários de Guerra (Cia. das Letras, 368 págs, R$ 37), ela e Melanie Challenger resgatam 14 diários de crianças e jovens escritos durante conflitos, como a Primeira Guerra e a invasão do Iraque.
CINGAPURA, 1944 (Sheila Allen) Depois vi uma sentinela japonesa meter a espada na barriga de um nenê, para matá-lo, e ainda trazia um sorriso nos lábios! Foi horrível! Não pude conter os calafrios ao recordar o olhar no rosto daquele homem. ... Uma visão horrível para se ter diante dos olhos - será que um dia poderei esquecê-la - será possível? Serei capaz?
BÓSNIA-HERZEGOVINA, 1992 (Zlata Filipovic) Papai e eu desesperados. Será que mamãe estava viva? ... Depois que ela chegou ao apartamento, começou a tremer e caiu no choro. Atrás das lágrimas, disse que tinha visto gente despedaçada. (...) Um dia pavoroso, impossível de esquecer.
PALESTINA, 2002 (Mary M. Hazboun) Acordei com o som de balas vindo dos tanques que atravessavam nossa rua. (...) No instante em que abri a porta, uma chuva de balas veio em minha direção. Corri o mais rápido que pude e escondi atrás de uma enorme cômoda. (...) A morte passou muito perto. Sabem que somos civis, mas não querem ver nada se movendo.
IRAQUE, 2003 (Hoda T. Jehad) Meu irmão mais novo brincava à porta e eu estava no jardim. (...) Escutei um som terrível e alto (...) O vidro da janela da cozinha caía como chuva, e mamãe estava caída no chão, morta de medo, incapaz de se levantar. Logo depois ouvi o exército americano gritando nas ruas ordens para "evacuar a área". Suzana Uchôa Itiberê |