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Produção inspirada em Júlio Verne passa a sensação de se estar em um parque temático |
SE DEPENDER DO CINEMA, a garotada está bem servida nestas férias. A sensibilidade de Wall-E, o humor escrachado de Kung Fu Panda e, agora, a adrenalina de Viagem ao Centro da Terra – O Filme. A obra que Júlio Verne escreveu em 1864 ganhara dezenas de adaptações, mas nenhuma delas tão eletrizante quanto essa versão em 3D. Detalhe: os óculos especiais, antes de papelão, estão mais sofisticados, com armação de plástico rígido e lentes de cristal. A sensação é de estar em um parque temático, naqueles brinquedos fantásticos que simulam os movimentos de uma montanha-russa, quedas vertiginosas e perseguições de feras assassinas. O espetáculo visual é tão exuberante que as falhas da trama ficam em segundo plano.
Brendan Fraser já mostrou desenvoltura em filmes dominados por efeitos especiais como o herói da franquia A Múmia. Aqui, volta a todo vapor como um cientista determinado a descobrir o que aconteceu ao irmão, um geólogo desaparecido havia dez anos durante expedição na Islândia. Guiado pelas anotações encontradas em um exemplar do clássico de Verne, ele decide partir para a longínqua terra fria. A seu lado, tem o sobrinho adolescente (o carismático Josh Hutcherson) e a bela guia interpretada por Anita Briem. Não demora muito e os três ficam presos em uma caverna e, na tentativa de sair, despencam até o centro da Terra. Pássaros brilhantes, cogumelos gigantes, serpentes marinhas, plantas carnívoras. Há de tudo nesse fascinante mundo perdido.
As aventuras são tantas que mal sobra tempo para a trinca tomar fôlego – que o diga conversar. Fraser até ensaia um romance com sua parceira em cena e assume uma postura paternal em relação ao menino, mas o enredo praticamente ignora os anseios e frustrações dos personagens. Duas palavras aqui, outra ali e lá estão eles a descobrir novas passagens secretas. Também é bom não esperar por explicações científicas para a existência daquele universo subterrâneo e nem tampouco por verossimilhança. A idéia é embarcar na fantasia. Aclamado como o mestre dos efeitos especiais de superproduções como Pearl Harbor e Homens de Preto, Eric Brevig faz uma estréia segura como cineasta. Seu filme exige pouco intelectualmente, mas diverte de montão. (Livre) Suzana Uchôa Itiberê