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Peça com Heloísa Périssé busca referência no célebre humor dos irmãos Marx |
O ENCONTRO entre um comediante veterano e alguns da nova geração ocorre em Advocacia Segundo os Irmãos Marx. Roberto Guilherme - que, semana passada, foi substituído pelo também experiente Zé Helou - divide o palco com Heloísa Périssé e os atores que se notabilizaram com o projeto Z.É. - Fernando Caruso, Marcelo Adnet, Gregório Duvivier e Rafael Queiroga.
O resultado desta mistura é satisfatório. Vale destacar as composições (em especial, a de Duvivier) para as sucessivas secretárias da advogada corrupta e falida Yasmin Robalo, interpretada com pouca variação, mas com certa graça, por Périssé. A atriz, porém, poderia diminuir o tom infantilizado que, vez por outra, empresta à personagem.
Na direção, Bernardo Jablonski (autor do texto) e Fabiana Valor conseguem orquestrar com fluência uma cena intencionalmente caótica, que alterna momentos mais (a divertida, mesmo que nem tão original, sátira a Romeu e Julieta, com intervenção precisa de Adnet) e menos (as passagens entre os esquetes) inspirados. Apesar de demorar a decolar, a peça é superior às comédias de ocasião que têm tomado conta dos palcos nos últimos anos. Permanece, porém, um vínculo com a linguagem televisiva, presente em muitas montagens consideradas herdeiras do saudoso besteirol. (12 anos) Daniel Schenker Wajnberg
Teatro das Artes - r. Marquês
de São Vicente, 52, 2º andar
(Shopping da Gávea), Rio, tel. (21)
2540-6004. Até 27/8.