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Ciocler é o personagem verídico Juliano, e Liza Scavone é Faustina, a imperatriz |
Como o texto chegou a você?
O Sergio Ferrara, diretor, me convidou para uma leitura. Nunca tinha ouvido falar desse texto do (dramaturgo) Ibsen. Num primeiro momento, ele nos parecia difícil, mas se mostrou comunicativo, hipnotizante. Ao final da leitura, tínhamos a certeza de que seria nossa a honra da primeira montagem brasileira desse texto.
O espetáculo parece ser uma defesa de Juliano. É isso mesmo?
Juliano foi um jovem filósofo que tornou-se imperador de Roma, e conseqüentemente do mundo, no século 2. Era um pagão que havia sido criado como cristão. Quando assume o trono, declara a liberdade religiosa e retira os privilégios dos sacerdotes cristãos. Foi assassinado três anos depois, claro.
De que maneira o espetáculo discute a intolerância religiosa nos dias atuais?
Acho que a última grande fronteira de entendimento humano é a das religiões. Claro que ainda existem injustiças sociais, raciais. Mas, pelo menos, existe um consenso sobre o que é certo e o que é errado. Nas religiões, esse consenso é uma fronteira muito tênue. Existe uma manipulação muito perigosa da fé pelo poder. (Classificação indicativa: a conferir)
Aina Pinto
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