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Thiago Martins esbanja talento como um craque de futebol |
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VISTA PANORÂMICA das favelas do Rio de Janeiro, música de baile funk e um herói entre o bem e o mal. De certa forma, Show de Bola é apenas mais um na lista de filmes ambientados no antro da miséria e da violência cariocas. Não há originalidade temática. O que se nota é um frescor no olhar estrangeiro de Alexander Pickl. Especializado em documentários, o diretor alemão se embrenha pelo mundo da ficção sem abrir mão do realismo. O resultado é uma obra enxuta, com bela fotografia em tom sépia e pulsante clima de suspense. Depois de viver um romântico em Era uma Vez..., Thiago Martins volta a esbanjar talento no papel de um craque de bola. Em meio à doença da mãe e ao assédio do líder da gangue local, ele sonha ganhar a vida como jogador de futebol. É um tipo carismático, embora seja de Lui Mendes o personagem mais interessante. Seu vilão foge aos estereótipos: implacável como chefe de quadrilha e generoso na forma como estimula seu protegido a vencer no esporte. O roteiro é co-assinado por Renê Belmonte (de Se Eu Fosse Você) e se embaralha um pouco no final - nada que comprometa o rendimento do elenco. Pickl tem uma visão pragmática da vida na favela, mas seu filme vem carregado de lirismo. A cena em que Thiago e um pivete sentam juntos para jantar é daquelas que valem mais que mil palavras. (16 anos)