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Música
O brilho de Maria Alcina
Aos 51 anos e 30 de carreira, a mineira que foi operária e empregada
doméstica está se formando na 8ª série do primeiro grau, mas continua
soltando o vozeirão e é uma das atrações de um evento itinerante
Mix
Brasil,
que está agitando as grandes capitais do País
Ana
Cristina Aleixo
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| A
cantora e seu mais novo visual |
Quando
Maria Alcina subiu ao palco da badalada boate Number One pela primeira
vez, no início dos anos 70, no Rio de Janeiro, sua voz chamou
a atenção do proprietário da casa. Naquele
instante, ele não assistia ao show e achou que a voz que
escutava era de um transformista que também se apresentaria
naquela noite. Ao se deparar com a verdadeira dona daquele vozeirão,
não vacilou: "Está contratada". Estava encerrado
o período de andanças da jovem cantora mineira de
Cataguazes, que, havia três anos, buscava um espaço
na noite carioca.
O
transformista em questão era seu colega do musical Vem
de Ré que Estou em Primeira, em cartaz no teatro Casa
Grande. Ironia do destino, pois antes do solo na Number One, Maria
Alcina havia sido cortada do elenco da peça justamente por
causa de sua "voz de homem". "Minha voz era mais
grossa do que a de todo elenco junto", brinca ela, que, mesmo
assim fazia plantão no teatro na esperança de ser
convocada para entrar em cena. Foi o que aconteceu quando a musa
brasileira da época Leila Diniz, que atuava no musical, torceu
o pé. Daí por diante, as coisas foram acontecendo.
Quase
três décadas depois, a cantora promete animar a última
noite do Mix Music, evento paralelo ao Mix
Brasil, que reúnde gente como Vange Leonel, Laura Finocchiaro
e leva às telas de cinco capitais do País curtas e
longas em que o assunto é sexo. Todos os sexos. "Sempre
fui muito querida pelos gays. Acho que eles se identificam com o
meu jeito alegre, descontraído", afirma. No domingo,
dia 19, ela apresenta o show Almas Femininas, no Centro Cultural
São Paulo, em que interpreta canções de algumas
das cantoras que se destacaram na Música Popular Brasileira
e a influenciaram, como Clara Nunes, Elis Regina, Elizete Cardoso,
Carmem Miranda e Dalva de Oliveira. "Graças a Deus,
eu me apresento a toda hora, mas é claro que não tenho
volume de comparecimentos que hoje é necessário",
diz. "Mas existem eventos que são mais divulgados, como
é o caso do Mix."
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| Em
Cataguazes, ela desfilava como Nara Leão |
Aos
51 anos e 30 de carreira, Maria Alcina soma no currículo
cinco compactos e cinco LPs, num total de cem músicas gravadas,
mas, desde 1992, não entra em estúdio. Tanto é
que ainda não entrou na era do CD. Enquanto sonha em lançar
o primeiro compacto digital com regravações, ela aproveita
para se dedicar aos estudos. Está na 8ª série
do primeiro grau da Escola das Cônegas de Santo Agostinho,
no Sion, e vai colar grau no dia 16 de dezembro. "Fiquei emocionada
quando consegui resolver um problema de Matemática. Na juventude,
podemos contar com os pais, depois só dá para contar
com você mesma e quando me vejo sabendo ler, escrever e contar,
isso é dignidade", diz.
RUMO
AO RIO - Nascida numa família de operários, Maria
Alcina Leite é a segunda de oito irmãos (cinco homens
e três mulheres). Sabe que a pele morena e os traços
fortes vêm da mistura de português e índio por
parte de mãe e mulata por parte de pai. Tomou gosto pela
música cedo, influência de casa e, na adolescência
aproveitava as horas vagas do batente na fábrica de tecidos
para cantar. Na escola, na Igreja ou em qualquer evento cultural,
sua "voz de homem" sempre se sobressaía. E foi
assim, meio que pela fama que conquistou na cidade que surgiu a
oportunidade para participar da trilha sonora de um filme, O
Anunciador, o Homem das Tormentas, de Paulo Bastos Martins.
Como as filmagens eram no Rio, a moçoila que não tinha
nem 18 anos, se mandou para lá.
No
dia da tal gravação, o estúdio estava ocupado
e ela tomou o seu primeiro chá de cadeira. Foi quando Antonio
Adolfo, o dono da Brazuca Produções, a reconheceu.
Ele havia assistido a sua apresentação no I Festival
de Audiovisual de Cataguazes, junto com Nelson Motta, que já
atuava como produtor musical. "Antonio me convidou para ficar
no Rio e eu nem pestanejei, afinal foi bem na época em que
ele lançou o Tony Tornado", conta.
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